• Anne Lieri

  • Anne Lieri

  • Anne Lieri

  • Evanir Garcia

  • Jonas Sanches

  • Franciangela

  • Nato Matos

08/11/2011

Recanto entrevista Carlos Tourinho de Abreu





RECANTO ENTREVISTA CARLOS TOURINHO DE ABREU
 ( Anne Lieri)

Nosso entrevistado nasceu na linda Salvador!



Sua esposa é de Luxemburgo e hoje residem lá!



Viveu sua infância junto ao povo simples de Lajedo do Tabocal,interior baiano.


Nosso convidado é o escritor de Tábua: Carlos Tourinho de Abreu!




Recanto- Carlos,onde você nasceu? Onde reside e por que escolheu esse lugar? Conte um pouco de sua vida atual,familiar e profissional.

Carlos- Olá, Anne. Eu nasci em Salvador, Bahia, Brasil, em 1977, mas desde que me formei na Universidade Salvador em Administração de Empresas passei a não mais viver da minha cidade natal. Seguindo oportunidades profissionais, morei em diferentes cidades, como: Curitiba, Rio de Janeiro, Toronto (Canadá), Durham (Inglaterra), São Paulo, Londres e atualmente moro em Luxemburgo. Em 2005 quando decidi fazer um mestrado em Durham, conheci a minha esposa, que começava seu doutorado na época, e de lá para cá decidi que a Europa seria o lugar para viver. A minha esposa é luxemburguesa, o que muito explica o amor que passei a ter por Luxemburgo. Além disso, costumo dizer que fiz o caminho de volta feito no passado pelos meus antepassados, a maioria de origem sul-européia. Apesar de ter me afastado de Salvador desde o início do ano 2000, sempre volto à minha terra, e às vezes passo grandes temporadas, como em 2010, quando junto à minha esposa conduzimos um projeto de pesquisa na capital baiana. Hoje trabalho na Universidade de Luxemburgo como colaborador cientifico e em 2010, durante nove meses, vivemos no Brasil coletando dados junto a escolas, inclusive de comunidades carentes de Salvador. Falarei mais sobre o projeto a seguir.






Recanto- Como foi a sua infância? Fale um pouco dessa fase de sua vida.
Carlos- Foi ótima! Tive o privilégio de crescer em uma família de classe-média em um tempo em que Salvador tinha talvez menos da metade da sua população atual, onde podíamos brincar na rua, experimentar as liberdades da vida, mesmo estando em uma grande metrópole. Dos grandes amigos que até hoje tenho, a sua maioria conheci no meu bairro, brincando na rua. Julgo que essa convivência foi muito importante na formação da minha personalidade. Além disso, muito viajava com o meu pai para o interior do estado, já que ele administrava a fazenda da sua família, por isso precisava estar lá pelo menos por boa parte da semana. Todas as vezes que a escola me dava uma folga, eu estava na fazenda com ele. De lá tirei muita inspiração para escrever o meu primeiro livro publicado. Assim como meu pai, eu também gostava de conviver de igual para igual com a população mais carente do interior, normalmente trabalhadores da fazenda, ou moradores do vilarejo vizinho, desse modo podíamos sentir na pele os seus dramas pessoais, as mazelas da sua vida difícil, assim como as peculiaridades da sua cultura e até mesmo as suas alegrias. Meu pai enquanto viveu foi muito querido pelo povo de Lajedo do Tabocal. Fazia caridade, conversava muito com as pessoas, além de ser realmente um grande amigo. Escolhi esse lugar para homenagear em Tabua, pois lá vivi anos inesquecíveis, junto ao meu pai e junto a pessoas de muito tino e sapiência. O povo simples do interior tem muito conhecimento. Foi uma lição de vida para mim! Adoro aquele lugar. Obviamente, reinventei o mundo que presenciei, com pessoas e nomes fictícios, mas obviamente muitas das barbaridades que menciono no livro, todo mundo sabe que existem até hoje no mundo real do Brasil, principalmente no sertão e semi-árido nordestino.



Recanto- Poderia nos falar sobre o seu livro “Tabua”? Faça um pequeno resumo da história para nós. Por que esse título?
Carlos- Como já mencionei acima, o livro se passa em Lajedo do Tabocal, na época um distrito do interior baiano, assolado pelas privações impelidas ao seu povo mais carente. Tabua — não é tábua J — é uma planta típica das margens dos rios e lagos do interior. Há uma locação especial do livro que faz referência a essa vegetação. É um lugar calmo, um santuário que o personagem principal se refugia. A história narra a vida de Guina, um sertanejo forte que tenta vencer todas as dificuldades da sua infância, até então muito comum e sofrida. Mas um golpe do destino faz com que Guina se veja fora de Lajedo, tendo que lidar com uma aventura particular e violenta ainda em tão tenra idade. Tabua toca em problemas importantes do Brasil dos anos 80, e por que não dizer que esses problemas perduram até os dias atuais. Digamos que as agruras de hoje sejam os reflexos da indiferença dos governantes dos anos 80! Quem não leu no jornal da semana passada artigos ou notícias sobre assassinatos encomendados, epidemia de viciados em drogas, exploração na zona rural, massacres de lavradores, trabalho escravo, corrupção política, educação agonizante, etc e etc? O enredo de Tabua traz à tona todos esses infortúnios que ainda não foram resolvidos no Brasil por falta de vontade política.



Recanto- A história se passa entre 1980 até a atualidade. Por que escolheu essa época e qual a mensagem que deseja passar aos leitores?
Carlos- Escolhi justamente os anos 80 para mostrar que o Brasil pouco evoluiu no âmbito social nas últimas duas décadas. Tabua vem como um alerta, mostrando ao leitor que essa história bem que poderia se passar nos dias atuais. Obviamente não se pode comparar o Brasil da década de 80 com o Brasil de 2011, pois o mundo mudou como um todo, evoluiu tecnologicamente e seguiu seu caminho rumo à modernidade. No entanto, apesar do Brasil ter alcançado a marca da sexta economia do mundo, ainda engatinha quando tratamos de distribuição de renda. Os mesmos magnatas continuam com a maioria do capital em seu poder, enquanto grande parte da população sofre com os velhos problemas que assolam o Brasil. Fome, violência, educação precária, saúde às moscas, dentre outros problemas, podem ser presenciados em qualquer cidade brasileira de forma bastante presente. Isso sem contar a corrupção impregnada na cultura política do nosso país... Esta sem dúvida é que gera todos os outros problemas, pois desviam descaradamente os altíssimos impostos pagos pelos nossos contribuintes, sem reinvestir na sociedade.



Recanto- O personagem Guina foi inspirado em alguém especial? Fale um pouco desse personagem.Deixe um link onde as pessoas possam adquirir seu livro.
Carlos- Como disse anteriormente, Guina, assim como os outros personagens do livro, são fruto da união de características de várias pessoas que conheci durante a minha vida. Nenhum personagem dos meus livros é baseado 100% em uma pessoa. Guina em especial, eu tentei extrair as aspirações, sonhos, preocupações, o jeito de falar, de alguns garotos que conheci em Lajedo do Tabocal, e até mesmo em Piritiba, cidade onde a minha mãe foi criada. Para criar Dona Letide, a mãe de Guina, por exemplo, me inspirei no comportamento das catadoras de café que trabalhavam incansáveis na lida de Lajedo. Inclusive muito do seu jargão, que incorporei ao romance, eu mesmo usava quando por lá andei.

Tabua pode ser adquirido nas maiores livrarias brasileiras e no meu website: 






Recanto- Como se sente quando escreve? O que significa a literatura na sua vida?
Carlos- O ato de escrever é uma forma de pôr para fora tudo o que você está sentindo naquele momento da sua vida. É como se um emaranhado de emoções, percepções, reflexões, conclusões estivessem pairando dentro do seu cérebro e no instante em que você escreve consegue-se dar sentido e, por que não dizer, vida, a uma linha de pensamento. A literatura para mim é um retrato do que está acontecendo na sua época. Seja uma reflexão atual do passado, ou uma atual contemplação do presente ou quem sabe até do futuro. Resumindo, é a forma com que os escritores entendem o seu mundo, no seu tempo. E o melhor de tudo é que esse registro fica para a posteridade. Essa é uma boa forma de tornar-se imortal!
  

Recanto- O que você acha das redes sociais? Qual o significado delas em nossa vida hoje? Elas ajudam na divulgação de seu livro?
Carlos- Acho ótimo, caso sejam usadas com responsabilidade. Para os imbecis que usam esse meio para disseminar o racismo, a intolerância e o preconceito, deviam haver leis mais severas, por que lugar de criminoso é na cadeia, mesmo que se escondam no anonimato das grandes redes. Mas há também o lado bom das redes, pois reaproxima as pessoas que fisicamente estão tão longe. No meu caso, por exemplo, vivo em Luxemburgo e seria impossível divulgar o meu livro e blog não fosse pelas redes sociais. Para ser mais exato, não estaria nem dando essa entrevista, pois não teria lhe conhecido, Anne. J Sem dúvida, o facebook é uma grande ferramenta de divulgação! Por isso, caro amigo leitor, não hesite em compartilhar essa entrevista! J






Recanto- E as escolas de hoje? Qual sua opinião sobre elas? Acha que temos um país onde a leitura é incentivada? Pode comparar com o ensino fora do Brasil que conhece?
Carlos- Infelizmente as escolas de hoje não têm os investimentos necessários para que consigam prover um ensino de excelência. Digo, as escolas públicas, pois as particulares contam com o apoio das altas mensalidades pagas pelos mais privilegiados do nosso país. Quanto à leitura... o que eu posso dizer. Se não há educação de qualidade, é óbvio que não vai haver estímulo à leitura. É frustrante saber que grande parcela da nossa população mal sabe ler e às vezes não passam de analfabetos funcionais. Esse na minha opinião sempre foi o problema chave do Brasil. O raciocínio é simples, segue uma cadeia: má educação gera um povo incapaz de se informar, que não desenvolve senso crítico, que é facilmente manipulável, que vota errado, que elege porcaria, que alimenta a corrupção, que assola esse mesmo povo perdido nas trevas da ignorância. Um bom comparativo entre as escolas do primeiro mundo e as escolas brasileiras pode ser lido nesse artigo.



Agora voltarei um pouco aos resultados do projeto que nós da Universidade de Luxemburgo conduzimos no Brasil. Durante 9 meses coletamos dados em escolas publicas e particulares de Salvador e São Paulo, no intuito de descobrir se a inteligência dos alunos era afetada de acordo com o seu nível sócio-econômico. Parece uma pergunta de resposta óbvia, mas nunca ninguém havia feito uma abordagem científica a esse respeito. Nesse link pode-se ter maiores informações sobre a pesquisa que conta com a direção da Doutora em Psicologia Pascale Engel. 

 essa abordagem factual a respeito da segregação ocorrida no nosso país


Recanto- Você tem algum projeto para um novo livro?
Carlos- Sim. Por sinal acabei de escrevê-lo na semana passada. É bem difícil escrever um romance quando se tem que dividir o seu tempo com a sua profissão, o seu ganha pão. Infelizmente não consigo viver de literatura, por isso, escrevo à noite, nos horários vagos. Assim sendo, demora bastante. O novo romance que escrevi por exemplo, comecei em Janeiro de 2011. Quase dez meses de trabalho. Mas valeu a pena! Ficou ótimo! Trata-se de uma história que vai mostrar muito a respeito da imigração européia do final do Século XIX. A narrativa acontece em dias atuais, feita por uma senhora cuja família migrou do sul da Europa para o interior da Bahia, mais especificamente perto da região de Piritiba e Mundo Novo, em tempos de muitas dificuldades. Esse livro reata um laço entre o Velho e Novo Mundo, presente no DNA da maioria dos brasileiros de hoje em dia. É uma história meio que autobiográfica da minha família materna, que assim como muitos dos antigos colonos, tanto sofreu até conseguir “fazer a América”.   



Recanto-Fale um pouco dos seus blogs e sites. Como começou a blogar? Deixe os links para as pessoas conhecerem.
Carlos- Eu tento atualizar semanalmente o meu blog de artigos. Normalmente só publico textos escritos por mim, muitas vezes bem ácidos e contestadores. A ideia do blog me veio ao voltar para Luxemburgo depois desta última temporada em Salvador. Uso o blog como uma forma de protesto contra tudo o que sinto que está realmente errado no nosso país. E como tem coisa errada... pena. Dessa maneira, tenho muito o que abordar, e quem sabe como se seguindo o velho exemplo da historia do beija-flor tentando apagar o incêndio da floresta, tento fazer a minha parte. É pouco, mas mesmo distante fisicamente estou sempre muito presente e atento aos problemas que afligem o Brasil. Quero muito ver um Brasil melhor, sem tantas injustiças!



Recanto- Agora é o momento “Marilia Gabriela”. Eu falo uma palavra e você diz o que te vier á cabeça.

Uma música- Qualquer uma da Legião Urbana!





Um livro- Mar Morto.



Uma cor- Azul.






Um sonho- Um Brasil mais igualitário.






Uma alegria- Escrever.



Uma tristeza- A perda do meu pai.







Recanto- Deixe um pensamento, uma palavra ou uma frase que goste para nossos leitores.
Carlos- Seu coração é livre, tenha a coragem de segui-lo.
Obrigado, Anne!




Muito obrigada pela gentileza de sua entrevista!
Adorei conhecer mais a respeito de sua vida e sua obra!
Espero que tenha muito sucesso, pois seu livro é maravilhoso e merece uma atenção especial de todos os leitores!


Visite o autor em seu site:

8 COMENTÁRIOS:

She

Ah que ótima entrevista, adorei! Sucesso pro Carlos e beijo, beijo para os dois!
She

João Fernando

Gostei bastante da entrevista, foi prazeroso conhecer o Carlos e principalmente sua visão política. Seu sonho Carlos, é compartilhado por muitos outros brasileiros, um dia de tanto desejar, vamos transformar esse sonho em realidade. Agora vou dar um pulo em seu blog. Sucesso para você!

♫*Isa Mar

Oi Anne,gostei da entrevista, muito sucesso para o Carlos, depois vou lá conhecê-lo.
Beijos pra ti e pra ele!

Miriam de Sales Oliveira

Gostei muito da entrevista.Pelo nome reconheci logo uma família baiana onde fiz grandes amigos entre eles.
Parabéns a vc e ao Carlos ,uma p/ descobri-lo e o outro por se deixar descobrir.
Abraços

Minéia Pacheco

Olá Anne,

Excelente entrevista, parabenizo o entrevistado pelo livro, e pelo sonho em ver um Brasil igual para todos... Um dia esse dia chegará, pois os bons, são maioria!!!

Parabéns, sucesso!!!

Sônia Silvino

Adorei conhecê-lo!
Abraços aos dois!

Carlos Tourinho de Abreu

Caros amigos e colegas!

Obrigado pelos comentários! Fico muito feliz por saber que gostaram da entrevista! Um grande abraço e espero conhecê-los qualquer dia!

Carlos

Carlos Tourinho de Abreu

Amigos, assistam esse filme. Ele é um ótimo teaser para Tabua.

http://www.youtube.com/watch?v=h-Xmdry4gCM

Compartilhe