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25/04/2012

Deixa-me







Deixa-me gritar em silencio

( ROSA SOLIDÃO)


Deixa que no silêncio da noite...o meu corpo seja um regaço de pétalas...que o meu olhar te fale de amor...deixa que a minha solidão descanse no teu peito...que as minhas palavras sejam a melodia que te embala...que os meus dedos se façam alvorada no teu corpo...e a minha tristeza seja um poema por nascer.

Deixa-me adormecer na margem do sonho...na imensidão do tempo...inventar-me e inventar-te dentro de mim...deixa que acorde a noite...que te tenha sem te ter...que te ame sem te pertencer...que esqueça o frio do meu corpo no teu e as tuas mãos percorram a minha ausência...que o infinito seja o cais onde me esperas...a eternidade o lugar onde me deito...vazia de mim.

Deixa-me ser a brisa suave e serena a tocar os teus cabelos...um murmúrio de ilusão...eterna e fugaz rosa negra a tocar o teu rosto...deixa que a lonjura dos meus braços seja o teu eterno abraço...a tua madrugada serena...a tua noite sonhada...a minha ilusão perdida.

Deixa-me ser uma gaivota voando na solidão do entardecer...no limite do tempo...na ilusão da carne...deixa que a minha alma se desprenda de mim e desenhe o teu nome nos muros que me cercam...nas gotas de chuva...no murmúrio do vento...nas pétalas que me afagaram o olhar...no silêncio do meu corpo frio.

Deixa-me dizer-te do amor...da renúncia...dos anseios que se diluem no tempo...dos desejos por cumprir...dos devaneios dos meus sonhos...das lágrimas caídas do meu corpo...das palavras escritas a sangue e cal...esculpidas por dentro do silêncio que escorre das minhas mãos vazias.

Deixa-me dizer-te da ausência...dos gritos suspensos no meu olhar...da ternura que ficou presa nos gestos que pairam na solidão do meu corpo...nas cinzas da memória que trespassam a noite...das sombras...do silêncio das rosas...do azul por pintar...do mar por navegar...do deserto labírintico por dentro de mim.

Deixa-me dizer-te da solidão das gaiolas...da sepultura do tempo...do rio amargurado que corre nas minhas veias...das noites sussurrando desejos...das bocas nascentes de amor...do rio a escorrer dos meus desejos inventados...do grito de amor preso na penumbra do meu corpo...deixa-me falar-te do vento suave que me acariciou...da inquietação das marés...dos sonhos derramados por dentro da noite vazia...deixa-me em cada anoitecer...em cada amanhecer...esquecer o passado e inventar o futuro abraçada nas asas do sonho...no silêncio do vento.

Deixa-me dizer-te...que as rosas que me adornaram estão negras...e eu estou tão nua...tão morta na moldura de um tempo que se recusa a ser tempo...num poente que se recusa a ser sol...num amanhecer que o silêncio guardou...nas ilusões que se perderam de mim.
Deixa-me dizer-te que do ponto mais alto da solidão esperei por ti...nua de mim te esperei como se espera a vida...naufraguei como se fosse barco...amei como se fosse mar.


Visite a autora em seu blog:




9 COMENTÁRIOS:

Elaine Cristina

Lindíssimo poema !
Amei !

Uma tarde de doces inspirações!
Bjs

Santa Cruz

Lindo Poema tinha que ser da Rosinha amei parabens as duas belas flores.
Beijos
Santa Cruz

✿ chica

As poesias de Rosa são intensas e lindas!Bom vê-la aqui também! beijos às duas, tudo de bom,chica

Verinha

LINDO.MUITA LUZ EM SUA VIDA

SONINHA

Os textos da Rosa, nossa amada Sonhadora, são lindos, profundos, mas tristes. Tomara que sejam tristes só os textos.
Beijocas carinhosas para as duas amadas!

Flavio Ribeiro

Ola Anne,
Deixa-me dizer que adorei o texto da Rosa. Mais uma bela reflexão sobre o amor!


Abraços Flávio.
--> Blog Telinha Crítica <--

Luciana Santa Rita

Anne,

Preciso falar que a Rosa é só emoção por meio das doces palavras.

Lindo! Beijos.

Lu

LUCONI

Anne este texto da Rosa é forte e belo, adorei beijos e parabéns as duas. Luconi

Marcia

Eu adoro chama de minha Rosa Rainha,pois verdadeiramente o é!!Beijos as duas!

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