• Anne Lieri

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  • Nato Matos

16/06/2012

O rio dos sonhos





O RIO DOS SONHOS


É noite, e meu corpo cansado repousa. O sono, no entanto, não é suficiente para deter minha alma, que se aviva e sai numa busca que já dura décadas. São caminhadas longas e espinhosas, e ela sempre retorna de mãos vazias, porém, sem jamais desistir.

No caminho, minha alma encontra montanhas altas. Muitas noites foram necessárias para que ela pudesse prosseguir, pois escalar aquelas montanhas era algo quase impossível. Uma noite, no meio da escalada, minha alma despencou, e neste instante ela reparou que flutuava. Pediu com tanta força para que não descesse novamente ao chão, que voou lindamente.

Depois das montanhas, meu espírito chegou ao rio. Mas ali, não adiantaria voar, pois os pés deveriam tocar a água. Minha alma sabia disso. Era preciso andar, cruzar aquele profundo poço em corrente forte, e se fosse o caso, pagar por isso com o fim da própria existência. Foi quando o medo tomou novamente meu espírito. Minha alma andou muito, até chegar na praia. Ia e voltava, mas não atravessava.

Seria lá, na outra margem, que estava o que minha alma tanto buscava? E o que seria? Um tesouro que me foi tirado? Ou então seria algo sagrado que me foi confiado e perdi por meu descuido?

O vale do medo era atravessado a cada noite que minha alma voltava ao rio, e o vale e suas criaturas já não assustavam mais. Nem as montanhas me seguravam. Sentia que aquilo que buscava era como se fosse um pedaço de mim mesmo, um pedaço de minha própria alma, e eu iria buscar. Estou cansado. Não quero mais andar, mas preciso. Vou adiante, nem que arrastado, mas vou. Termino aqui minha vida, e me entrego ao desconhecido, mas não desistirei. Sequer a selva das dúvidas me parou, e não será um rio que fará isso agora.

Outra noite chega, e lá vai ela. Agora, ela sabe que enfrentará a escuridão, o desfiladeiro das nuvens negras. Mas pouco importa, pois durante todo esse tempo, ela aprendeu a enxergar o escuro com os olhos do cego, e jamais se perderá. Somente o rio. Ele sim pode me parar.
Sequer sei se existe uma vida após esta vida, pois a pouco tempo atrás nem em alma eu acreditava. Deus me batizou pelo fogo quando ensinou minha alma a voar, mas não ensinou como nadar. Lá, do outro lado do rio, está a terra prometida e o que eu tanto procuro. Não esperarei mais.

Todos nascemos em pequenos olhos d’água e desaguamos em oceanos, então, por que o medo? No meio da noite, as águas refletem o luar e chamam minha alma, que não se contém e pisa o passo mais difícil, o primeiro. Estranhamente, a água não é fria, e sequer molha meus pés. Outro passo, e mais outro, outro... outro.

Minha alma não mergulhou, mas também não flutuou. Minha alma andou sobre as águas. Nesse instante, achei o que tanto minha alma procurava. Enfrentei todos os medos, todas as dúvidas e as criaturas mais estranhas e perversas. Reencontrei minha FÉ.


5 COMENTÁRIOS:

✿ chica

Lembro bem desse lindo texto do Márcio e também da emoção que senti. Lindo demais, como sempre!!abração aos dois e tuuuuuuuuuuuuuudo de bom!chica

Ana Bailune

Lindíssimo!Uma busca pela fé é uma busca por si mesmo.

Edilene

Muito lindo esse texto! O Márcio é excelente! Beijos

Luna Di Primo

é...caminhos, vivos ou simbólicos teão que ser vencidos... e se existe alma, o restante tambem existe... bjuu pelo lindo texto. bjuuu Anne

Marcio JR

Olá, Anne.

Eu teria vindo antes, mas o Google resolveu, do nada, cancelar meu e-mail justamente do blog. Como resultado, fiquei sem acesso. Será que vai começar novamente a bagunça de excluir blogs? Por via das dúvidas, vou fazer backup do meu.

Anne, minha querida amiga. Te sou grato por me ceder espaço novamente aqui. O Recanto dos Autores se transformou num ponto de encontro dos blogueiros, e nele, temos a tua bondade e dedicação em garimpar pérolas por esse mundão que virou a web. Sempre um prazer muito grande poder ver um dos meus humildes escrivinhamentos por aqui.

Bjs, minha querida amiga. E, claro, meu abraço e carinho a todos os que passarem por aqui e lerem meu escrito.

Abraços a todos.

Marcio

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