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02/10/2014

O tempo é o senhor da razão

O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO

(Marli Soares Borges)





Com esse título, criei um evento lá no facebook. E minha contribuição foi esse texto:tempo senhor razão.


"O tempo pediu ao tempo, remédio para o mesmo tempo.
E o tempo respondeu ao tempo, que com o tempo tudo tem tempo."


Frase muito antiga. Ninguém sabe a autoria, sabe-se apenas que foi Marcel Proust quem se encarregou de torná-la conhecida no mundo inteiro e até hoje a dita frase tem atuado como refrigério na vida de muitas pessoas. Quer ver?

Às vezes a gente sem querer se mete numas briguinhas tolas com amigos -- e até mesmo com familiares --, umas babaquices que não acrescentam absolutamente nada na vida de ninguém. E numa dessas, quem de nós não foi acusado injustamente de alguma coisa que não fez? e num toque de mágica passou de inocente a réu? e foi julgado e condenado pelo tribunal improvisado que se formou na ocasião? assim, sem mais nem menos. Acho que isso acontece com todo mundo. E no calor da discussão ninguém quer saber de nada, todos querem ter razão em tudo, ter a última palavra. E você entra nessa e faz uma exposição ridícula da sua imagem! Pronto, lá vem boicote e você percebe de cara. E a dor vem com força. Logo você, que vive perdoando... que faz doces, que oferece cafezinho, que ouve os choramingos, que constrói sempre bons momentos e diz que os ruins ficaram no passado, e ensina que toda mágoa é moeda podre. Logo você que não quer saber de complicações, que odeia brigas e que faz tudo pela paz! Será mesmo que nada disso importa? Sinto dizer, mas agora não, o circo pegou fogo. E nessas horas os interesses pessoais falam mais alto que a própria razão.

E nem tente medidas heroicas para solucionar o problema pois não irão funcionar. Foi mal, seu estômago embrulhou.

Mas o anjo do Senhor, sempre a postos, bate no seu ombro e lhe diz com ternura: sossegue, vai passar, vai passar. Vá descansar, amanhã será outro dia e tudo será esquecido, “o tempo é o senhor da razão”. E você suspira e vai. Ninguém sabe direito como isso acontece, mas a tal frase mexe com a gente, e nos ajuda a reinaugurar novos gestos e tecer novos momentos em nossas vidas, pois o tempo, definitivamente, costuma revelar a verdade e pôr cada coisa no seu devido lugar.



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23/04/2014

De problemas e de vícios



De problemas e de vícios
(Marli S.Borges)




Li não sei onde que contar problemas é o nosso maior vício. Taí uma coisa que concordo demais.


 É vício sim, e cheguei à conclusão que não suporto gente viciada em contar problemas. Faz um tempão que venho dizendo que nossos problemas são iguais a bola de neve. Você já viu uma bola de neve rolar do alto da montanha? Ela sai de lá minúscula e chega ao solo imensa. Tal como os nossos problemas. 

Quanto mais a gente fala, mais eles se expandem e mais fragilizada a gente fica, nossa voz é muito poderosa. Sei não, mas o ideal seria a gente dividir o problema com alguém, falar, desabafar, equacionar e partir para a solução. E tratar de entender que existem coisas que simplesmente não têm solução, temos que conviver com elas e ponto, "o que não tem remédio, remediado está". Sabedoria antiga e muito verdadeira. Então, para que sofrer sem necessidade? Chega de bater na mesma tecla, falando, relembrando, revivendo, chorando tudo de novo. Se é para reviver alguma coisa, então vamos falar das alegrias, reviver as alegrias, e sorrir tudo outra vez. Assim, quando a bola chegar ao solo estaremos inundados de bons sentimentos e com as forças redobradas. Em resumo, tem duas drogas na vida que nos fazem 'viajar': uma nos joga no inferno e a outra nos tira do chão e faz voar. Se é para ter um vício, escolha uma droga que valha a pena.

"Não é só anestesia que espanta a dor. Rir também".



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07/04/2014

Segure a peteca

Segure a peteca!

(Marli Soares)





Segure a peteca! Essa é uma expressão conhecida que certamente você já ouviu alguém falar. Significa enfrentar as adversidades da vida, coisa que muito adulto simplesmente não tem coragem de fazer. 

Houve um tempo, há muitas e muitas luas, em que os pais preocupavam-se com a educação de seus filhos e sentiam-se no dever de lhes ensinarem o jogo da vida. E bem cedinho as crianças aprendiam a 'segurar a peteca'. E os pais arremessavam forte a peteca e ninguém era poupado, e se alguém tentasse dar uma de espertinho, os pais, com autoridade, o deixavam direto no banco dos reservas e ele ficava ali, emburrado, pagando o preço da 'esperteza'. E todo mundo acabava aprendendo por osmose. E ninguém ficou traumatizado. Mas hoje em dia a história é outra, o mundo virou do avesso e a vida dos filhos agora é uma verdadeira moleza, quase um conto de fadas (?!), um passe livre para o que der e vier. Os pirralhos pintam e bordam, as crianças maiores fazem o que querem e os adolescentes, grosseiros, respondões e atrevidos, só falta baterem nos pais. E os pais? Bem você já sabe. Os papais e mamães (sem generalizar, ok?) estão aí, suando a camiseta para manterem em dia os looks dos seus rebentos e presenteá-los dia-sim-outro-também, pela vida afora, senão o bicho vai pegar. Eles não suportam a ideia de negar alguma coisa aos filhos. Fazê-los assumir suas responsabilidades, lidar com as frustrações, nem pensar! Sei lá, acho que hoje em dia os pais têm medo dos filhos. E nesse embalo a safadeza e a imbecilidade foram sacramentadas. E o mundo virou nisso que estamos vendo, um bando de gente fraca e sem noção que só pensa em falcatrua. E eu às vezes me pego pensando naqueles tempos em que a gente precisava se esforçar e correr, para não deixar a peteca cair. -- Menos, madame, esse jogo já era. As petecas agora jazem no chão, abandonadas, longe da nossa vista, démodé, entendeu? Ninguém mais quer saber de segurar petecas. -- Verdade, mas não me conformo, essas crianças estão crescendo muito rápido, e sem educação para a vida, o que vai ser? Ops, não vai ser, já foi, já é! Tudo no oba-oba, afinal quem se importa? Essas crianças estão aqui, foram desembarcadas na adultez com a mala repleta de fraqueza, egoísmo e onipotência. E como adultos, seguem -- inteligentes -- alegremente, impunemente, enganando, vandalizando e tiranizando pessoas, animais e coisas. Enquanto uns conseguem disfarçar o mau caráter ocupando cargos elevados, outros justificam atrocidades em nome da justiça. Uma lógica reversa incompreensível para mim.


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19/10/2013

Repara bem no que não digo

REPARA BEM NO QUE NÃO DIGO




Em homenagem à verdade, esclareço que o título não é de minha autoria. É antes, um poema de Paulo Leminski, que caiu como uma luva nesse texto que eu havia escrito e faltava intitular. Então emprestei o poema como título, com respeito e admiração pelo poeta.


Sempre achei que era boa ouvinte. Mas não! Na adolescência eu falava demais e ouvia de menos. Não aguentava ouvir, eu ia logo dando um palpite e acabava fazendo uma confusão do que a pessoa dizia com o que eu queria dizer. Um dia dei de cara com a poesia de Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma".


Pensei, pensei. Silêncio dentro da alma? Demorei a perceber o desafio que envolve a arte de ouvir. 

Entendi que para OUVIR é preciso paciência, contemplação e silêncio. Silêncio dentro da gente, nada de pensamentos, nada de julgamentos. Quando me dei conta disso, comecei a esforçar-me para ouvir o que as pessoas estavam querendo me dizer. E nesse exercício silencioso e atento, já consigo, algumas vezes, captar os sons que existem nos intervalos das palavras.



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01/07/2013

Ordem- Em- Progresso



ORDEM __EM__ PROGRESSO...

(Marli Borges)



Embora a grande mídia brasileira faça de conta que nada acontece e insista em noticiar somente as ações nefastas dos vândalos, -- aqueles "paus-mandados", que tudo fazem para desmerecer o protesto --, sabemos que o povo brasileiro está nas ruas escrevendo sua história. Uma história de conquista e de sucesso que começou com foco no transporte público e evoluiu, trazendo à lume outras carências que temos suportado por décadas. A meu ver, já somos vencedores pois obtivemos uma conquista sem precedentes na história, uma conquista de cidadania. Até hoje nunca havia acontecido que indivíduos se mobilizassem para um propósito, fazendo tratativas apenas nas redes sociais. Pois não é que aconteceu? As pessoas combinaram e saíram à rua para se manifestar. Isso é inédito e me parece que com essa atitude inauguramos uma nova era, um comportamento social cujo despontar acena para uma cidadania que não está mais na dependência de governos, de partidos ou de sindicatos para exercer seu legitimo direito de manifestar indignação nas ruas! Os líderes políticos estão atônitos no meio disso tudo. Jamais esperavam que sua autoridade fosse desafiada pelo povo, num movimento espontâneo, sem precedentes na história.
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