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13/08/2014

Tatuagem ao luar

TATUAGEM AO LUAR...

(Zilani Célia)





Num ritual, solitário e sagrado,
Em bela noite de luar,
Tatuou o nome dela, no corpo,
O sangue lavou no mar...



A água tingiu-se de vermelho,
A lua refletiu, como se, um espelho,
O rosto pálido, os lábios crispados,
E, adeus, a sofrimentos represados...



As lágrimas, formaram grandes ondas,
Que correram céleres, jogando, espumas brancas,
Encobriram a cena, prevendo o gesto impuro,
Não deixaram ninguém ver, tornaram o dia, escuro...




Lançou-se ao mar, alma estática, corpo ereto,
Entregou-se ele, do sofrer liberto,
Brilhou, no peito ferido, o nome escrito,
Gravado com o sangue... Que por ela, foi vertido...





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22/09/2013

Manto de estrelas

MANTO DE ESTRELAS...

(Zilani Celia)






Abóbada celeste, manto de estrelas douradas,
Por mãos divinas finamente bordadas,
Que pródigas, nos lançam seu fulgor,
Pequenos pontos de luz, por onde passa o amor...



Desejadas em sonhos, prendas ambicionadas,
Contadas por amantes, escorados as janelas,
São pedras preciosas pelo céu emolduradas,
Enfeitando as noites, lindas, enluaradas...



Estrela cadente, para quem a vê, amor ardente,
Quando faceira surge, riscando o horizonte,
É como a bailarina, que na dança da noite,
Faz cativo seu astro, acompanhante...



Estrela de fogo, se lança sobre terra e mar,
Deixa suas marcas, corações a queimar,
Jogados na areia, por não saberem amar,
E passarem a vida, perdidos...  Carinho a postergar...





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12/05/2013

Todas as mães


TODAS AS MÃES...







Ser Mãe, ainda jovem foi seu intento,
Rosto suave, olhos cerrados, parece rezar um terço,
Com um sorriso nos lábios, embala o filho no berço,
Seu tesouro, seu amor, seu maior alento...

Mãe, que ampara quando já caminha, seu rebento,
Protegendo seus passinhos ainda incertos,
Mãe, que como santa cuida, entoando um cântico,
Na noite vela seu sono, no dia seus folguedos...

Mãe madura, observando do filho o sucesso,
Muitas vezes pela vida marcada, num mundo adverso,
Coração já remendado, mas, a Ele agradecendo,
Pelo filho criado, seu orgulho, seu universo...

Mãe, que abraça com carinho o filho que não gerou,
Que ao fixar seus olhos, sente que já se apaixonou,
Ao acalentá-lo em seu regaço, Deus já a abençoou,
É a heroína, da vida deste anjo, que a ganhou...

Mãe que já não estás mais aqui, saudades teu filho sente,
Fecho os olhos e te abraço, como melodia, envolvente,
Mãe, beijo teu rosto amado, com carinho, suavemente,
Com a cabeça em teu peito, adormeço, como antigamente,
Rogando ao “Pai”, por este milagre... Eternamente...




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30/04/2013

Filhos da seca





                                          FILHOS DA SECA...
( Lani)




Terra retorcida, poeira que se levanta na estrada,
Em desalento segue o homem, em sua solitária caminhada,
Na casa pobre, a família espera, pela água abençoada,
Que sabem, por causa da seca, nem sempre é encontrada...


Quando vejo o gado, pelas estradas morrendo,
De sede e inanição, sob o causticante sol, definhando,
Peço um milagre ao “Pai”, já que dos homens nada espero,
Divida nossa água do sul, com estes irmãos em desespero...


Quem pensa que este povo paga, por dever algum pecado,
Tem de saber que quem está á prova, é de nós o desinteressado,
Por não lutar pelo irmão, sem água, lá do outro lado,
Que para o filho, não consegue, nem prover, o pão sagrado...


Enquanto os rios secam, os animais sofrem,
Vagando, com sede e fome, morrem,
A chuva não vem, as plantas se consomem,
O sol arde na cabeça e no coração do pobre homem...


E quando, alquebrado, cansado, se recosta na rede,
Rogando a Deus para salvar seu filho, inocente,
Que na pobre cama dorme, apesar da fome,
Não chora, poupa a lágrima, mesmo que correr tente,
Pois com ela terá... De amanhã... Saciar deste filho a sede...



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24/02/2013

Travessia



TRAVESSIA...


(Zilani Célia)







Mar revolto, se debatendo nas rochas,
Sua fúria amedronta, sua imensidão assusta,
Seu som entra pelas entranhas,
Como gritos de socorro, que ninguém escuta...


Mar profundo, escondendo segredos,
De tantas vidas perdidas, que viu soçobrar,
De barcos que se perderam no horizonte, á deriva,
De pobres sonhos, mortos, que sentiu afundar...


Mar da vida, com águas escuras, profundas,
Em tuas grandes ondas vou me lançar,
Vou fazer contigo, minha triste travessia,
Mar me ajude, me ensinando á nadar...


Mar, leva-me junto, em novas jornadas,
Não deixa meu barco da vida afundar,
Se ele bater com violência nas pedras,
Só tu mar... Poderás me salvar...



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