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06/08/2014

Recado

Recado

(Rosemildo Furtado)




Vós que sentistes a dor de uma separação,
Em tempos passados, quando feliz éreis na vida.
Se por degeneração física, falta de amor ou paixão,
Ou quaisquer que foram os motivos da partida.



Vós que sentistes o desprazer do abandono,
Sem ao menos o direito de tentardes uma reação.
Destes-vos ao sofrimento, e pra vida nenhum plano,
De um novo e grande amor para alentar o coração.




Vós que sentis hoje, o amargor da solidão,
E viveis das lembranças de um passado distante.
Sem consolo, e a merçê de um desprezo gritante,
Condenada ao desalento, sem dó e sem compaixão.




Eis que é chegado o momento de uma total mudança,
Tendes de reagir, pois não cometestes nenhum pecado.
Afinal, não custa nada alimentardes a vital esperança,
De recobrardes a felicidade. Este é o meu recado.




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10/04/2014

Autoencontro


Autoencontro.
(Rosemildo Furtado)




Hoje, eu me sinto como um pássaro,
Que voa a esmo em busca de um ninho,
Sem ter nada que possa lhe dar amparo
E tem por sina, sempre viver sozinho.

Hoje, eu me sinto como uma borboleta,
Que vagueia triste num jardim sem flor.
Sempre alerta, ou o espinho lhe espeta,
Mostrando as garras do seu desamor.

Hoje, eu me sinto como uma noite triste,
Sem brilho, opaca, chuvosa e muito fria.
Onde no céu, uma única estrela não existe,
Tornando-a sem graça, nefasta e sombria.

Já não sei quem sou, me perdi de mim,
Busco-me, estou sempre a me procurar,
Quem sabe, eu encontre alguém, e assim,
Me ache, e por fim, possa me encontrar.


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23/08/2013

Vingativamente

VINGATIVAMENTE
(Rosemildo Furtado)




Durante aquele, amor pura loucura,
Que me consagraste fervorosamente.
Tu recusaste desdenhosamente,
Minhas cartas de amor, a antiga jura.



Cedo, porém, perdeste a formosura,
Resiste o orgulho fragorosamente.
É em balde que, com teu riso aparente,
 Disfarçar queiras tua desventura.



Quando se esfuma a última esperança,
 A triste realidade se descobre,
A ilusão foge e o desengano avança.



Hoje, um olhar se quer não te suplico,
Já de orgulho e desdém ficaste pobre,
 De indiferença estou ficando rico.


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27/06/2013

São João da minha terra

SÃO JOÃO DA MINHA TERRA

(Rosemildo Furtado)





O São João da minha terra,
É porreta, é arretado.
Começa no pé da serra,
E se espalha no povoado.


Tem festa pra todo lado,
Tem traque, foguete e rojão.
Cachaça tem pra danado,
Tem xote, xaxado e baião.


Tem quadrilha, com casamento,
Tem padre, e até delegado.
Tem carroça puxada por jumento,
Pra carregar o casal enforcado.


Tem inhame, batata e macaxeira,
Bolo tem, de toda qualidade.
Tem milho assado na fogueira,
Pra ninguém ficar na saudade.


Tem cuscuz, tem canjica e pamonha,
Tapioca, beiju, arroz doce e munguzá.
E tudo isso é pra comer, sem vergonha,
E encher a pança até se empanturrar.


Forró tem em todo canto,
Pra quem pra lá, for brincar.
Mulher tem demais, no entanto,
É proibido, no salão se esfregar.


As mulheres de lá são fogosas,
Mas, tem umas que vivem pra rezar.
As que não casam ficam em pavorosas,
Enquanto as outras, só querem ficar.


Tem gente de toda qualidade,
Pacata, mas também arruaceira.
Quem lá chegar com maldade,
Vai pra ponta da peixeira.


Portanto, meus queridos amigos,
Não sendo um burro que emperra.
Vou relembrar os festejos antigos,
Do São João da minha terra.



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