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05/04/2012

Inutilidades





( Renata Diniz)


Inutilidade é uma palavra assustadora. Bom é o que nos dá prazer e alegria. Há algum tempo a questão estava entre o ser e o ter. Hoje o ser foi destronado pelo parecer. As pessoas têm que parecer jovens, parecer ricas, parecer boas, parecer vencedoras. No aspecto do esvaziamento está o preconceito contra a seriedade. Enviesadamente, gente séria não merece respeito. Já vai longe o tempo em que as pessoas que são gente, não são na verdade, marcadas pela sensibilidade.


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28/03/2012

Estar em casa






( RENATA DINIZ)


Estar em casa também é bom. A solidão serve para aplainar a emoção e retomar a vida. O mundo moderno está em crise. Todavia é preciso acreditar que é possível viver nele. Perder o amor do outro é possibilidade de encontrar o novo, temperar a paixão, alargar a temporalidade e construir uma narrativa singular. No entanto o mais tocante da novidade está na proximidade da morte. Morte da ilusão. Morte da paixão. Ilusão e paixão possuem vida curta. Neste caso, a intimidade com o amor é mais segura. O amor habita corações, que por sua vez, moram em refúgios que não desmoronam. Felizmente


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20/01/2012

Em 2012





( Renata Diniz)


...Na poesia a voz do poeta é importante e revela o paradoxo da alegria: o tempo que chega ou o tempo que foge. Na fugacidade do tempo, na solidão, na vida como sonho, na vida como falta ou na beleza da vida, a poesia tem graça verbal e o poeta reinventa o tom sereno, jamais toca o desespero. Estar em boa companhia. Isso mesmo é o que importa. Outros tempos, outras surpresas, velhos e novos amigos. Inimigos, não lhes dê importância. Queira os amigos e inspire-se no riso. Se for para viver, ou morrer, que seja de rir. Parafraseando Picasso: “Eu não procuro. Eu encontro.”


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23/11/2011

Celeuma


( Renata Diniz)
                                                           


Apesar de o Brasil ter evoluído na aparência, essencialmente permanece o mesmo no tempo do jogo de interesses dos coronéis ruralistas que se intrometem alucinadamente na política. Tal como crianças que se alimentam de leite e não de alimento sólido. Na arte se pode tudo ou será na vida? Sensacionalismo, hipocrisia, conspirações, vale tudo. Menos mudança. Por outro lado, a infância dos que fazem cara de quem chupou limão e dizem não ter veia política no corpo. Na verdade, lenda urbana com cara de coisa certa e católica. Porém, deselegante sufoco da vontade de falar. Diante do conjunto da obra a inteligência nada brilhante. Não se sabe deste comportamento se é desinformação ou má fé. O que se pode afirmar é sobre nuvens cobrindo a verdade de tons cinza fazendo pensar que somente a aparência de caridade já eleva a alma ao paraíso. Por mais maluco que pareça, trata-se do poder da narrativa, boca a boca, ficcional. Por aí muitos inventores de lenda podemos ver. O truque fica por conta de cada inventor, de muitos interesses ou pelo sabor por si só. O barulho que aponta para o futuro, creio, é a demolição controlada pelo que contraria o bom senso.


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25/08/2011

Presépio




Presépio

( RENATA DINIZ)


E se o efêmero

Cedesse lugar ao duradouro?
A natureza seria o presépio,
a flor, admirada,
o homem contemplado.

E a pressa da maioria
Se converteria
Em moderação.
Falta a convicção
De que a solução

Não está na ilusão.


Simples e rústica
Como um presépio
É a existência.
Mais alta seja
A consciência.

Moderar para admirar
Queira deixar
Sentir a Terra debaixo dos pés
Para sentí-la também no coração.


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