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17/09/2014

Tapete em mutação


Tapete em mutação.

(Toninho Bira)





Em meus olhos todo encanto,
para estes jardins floridos,
estação das flores eu canto,
há ênfase nos meus sentidos.



Mas quando chega o verão,
todo o meu corpo se aquece,
na praia há palma em botão,
sob o Sol que já resplandece.



Há poesia em cada estação.
ouvi o som das folhas secas,
fez se o tapete da mutação,
De flores mortas nas cercas.



Então veio a estação do frio,
Já Floresce no campo o ipê,
Que finda este merencório,
pois já a Primavera antevê.



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23/08/2014

Menino passarinho




Menino passarinho
(Toninho Bira)





Musica: Cuitelinho- Milton Nascimento 


Inspirada na blogagem coletiva da Anne com o tema passarinhos.


Quero agradecer ao Toninho por essa linda homenagem!





Canta, canta passarinho no fio,
nesta manhã faz meu encanto,
do seu ninho vem um fino pio,
há um ensaio de entoar o canto.



Todo menino é um passarinho,
livre saltita e brinca contente,
sem sua liberdade há desalinho,
num canto triste proeminente.



Mas quando vem a primavera,
bailam milhares de beija-flores,
como Kamikazes numa guerra,
ébrio de mel bailam vencedores.



Já sonhei ser passarinho coleira,
para no infinito viajar e cantar,
mas o menino com a atiradeira,
na mira alvejou o sonho de voar.




Então planto flores, faço jardim,
tenho passarinhos e borboletas,
livres eles fazem festa pra mim
como os belos versos aos poetas.



Lindo sentir chegar à alvorada.
Vêm os passarinhos do quintal,
cantam anunciando a jornada,
para mim é a bênção celestial.




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14/07/2014

As flores e as dores

As flores e as dores

(Toninho Bira)





As dores que nunca passam,
que sempre vem nos incomodar,
criam umas confusas palavras soltas,
para esconder estas desilusões e paixões,
no centro das turbulências dos sentimentos.



Dores que transmutam ininterruptamente,
que no constante vai e vem sangram,
naquelas incertas noites de outono,
na iminência de severo inverno,
que vem gelar todo coração.



Vem pensamentos de primavera,
Colorindo os olhos de um jardineiro,
que arquiteta zelosamente os canteiros,
arte de cultivar flores para alegrias e dores,
como lenitivo para estas dores tão pungentes.



Sente dor nas mãos que levam as flores,
quando de dor as palavras engasgam,
diante a imagem sob um véu negro,
de quem partiu e deixou saudade,
são estas dores que machucam.



estranhas utilidades das flores,
que perfumam as mãos delicadas,
mas também murcham abandonadas,
sobre a lápide, fria onde jaz sua amada,
e nos olhos brotam duas lagrimas geladas.



Enquanto o coração suporta estas dores,
sua alma se refaz nestas tormentas,
pelas cicatrizes ainda abertas,
escorre para o botão a seiva.
Finda a dor, explode a flor.



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06/06/2014

O menino poesia

O menino poesia.

(Toninho Bira)






Sangrada a ferida, fica a cicatriz,
com uma tatuagem por companhia,
para quem se faz em um aprendiz,
mas que sempre renasce a cada dia.

Com a crença fervorosa na jornada,
que acaricia o seu próprio coração,
inspirando-se numa fonte herdada,
do manejo da sua vara de condão.

Quando se sente preso num alçapão,
movem-se asas feridas, sem harmonia.
sem plano de voo para a libertação,
que possa romper com sua agonia.

quando adormece o menino poesia,
na ilusória cama de flores no jardim,
blinda-se a alma na estranha euforia,
cerram seus olhinhos como *Passarim.

Mas logo descortinam os raios solares,
sobre a varinha de condão da poesia,
sente no peito uma saudade dos lugares,
abre a janela para saudar mais um dia.




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Do mineirez Passarim: qualquer pássaro pequeno.


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14/05/2014

A flor que cativa

A flor que cativa.

(Toninho Bira)





Não sou o Pequeno Príncipe e sonho.
Sonhar que o longe nunca existe,
Isto se aprende com o pensamento
Na sua mais linda força do querer.



Cativa-se a rosa, mas também pessoas,
Que ao longo da vida nos cativam,
É uma corrente com elos de carinhos,
Não se prende, solidifica-se no tempo.



A flor que rego com cumplicidade,
Esta sim, gentilmente me faz feliz.
Seus espinhos não me ferem, há amor.
Nasce nova flor, faz festa no coração.



Pela vida somos criadores de jardins,
Planto as sementes da fraternidade,
Brotam as flores raras da amizade,
Que nos perfumam os dias nebulosos.



Quando a seca vem o jardim rondar,
Há flores murchas espalhadas no chão,
Há um vazio por esta transformação,
Que prepara a vida para nova estação.



Há poesia na flor, que ora murcha,
Vem como melancolia de expatriado,
Sentimento de perda, vazio e solidão,
Outono por trás da cortina cinza.



Deixa-se supurar aquela angustia,
Umedeça o chão com suas lágrimas,
Feche os olhos e faça a bela viagem,
Nos campos de girassóis de Van Gogh.



Por fim, ao se sair do transe dourado,
Sinta-se o cheiro da terra em gestação,
Tempo que o Sol vem beijar a manhã,
Vê flores. Faz-se o milagre da brotação.




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26/03/2014

Clausura

Clausura

( Toninho Bira)






Ponteiros lentos na demora,
Morre o dia na eternidade.
Quanto custa esta liberdade,
Do pobre inocente que chora.

Quem vive num isolamento,
Que tanto dilacera o coração,
Sofre numa maldita reclusão,
Solidão plena em sofrimento.

Ainda recluso pela dislexia,
Persevera-se na inspiração,
Constrói versos faz poesia.

Quando vem o dia o clarão,
Range grades em melodia,
Sopra o poema na opressão.




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14/09/2013

Eu tenho um sonho

Eu tenho um sonho.

(Toninho Bira)






“Quando um muro separa uma ponte une.
Se a vingança encara o remorso pune” 



Um mundo sem muros, sem a violência,
Que alimenta derramamento de sangue,
Que mancha calçadas e ruas da cidade.
Um mundo de irmãos que se cooperam,
Sem os espinhos envenenados da inveja.



Eu tenho um sonho que salve nossas famílias,
Onde cantar seja apenas de alegria e prazer.
Onde cada um sabe de sua responsabilidade,
Para que a natureza seja vista como mãe,
E que nela sejam preservadas todas as vidas.



Eu tenho um sonho que preserve o cidadão,
Com todas as garantias para seus afazeres,
Mas que seja sagrado o direito aos prazeres,
Nos finais de semana com seus familiares.



Eu tenho um sonho que embala meus dias,
Acordar ao som de pássaros, receber o abraço,
Que perpetue o elo efetivo entre cada pessoa,
Para viver numa realidade de comunhão.
E quem sabe assim concretizar o de Martin. 



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15/06/2013

Embrulho da saudade

Embrulho da saudade




A saudade vem embrulhada,
No papel amargo da ausência.
A solidão vive na turbulência.
Sob a neblina da madrugada,

Ainda que seja apenas fantasia,
Sonhar com os beijos da amada,
Alimenta-se o coração do nada,
É pura tradução de sua agonia,

São as lagrimas cristalizadas,
Quando se desprendem do leito,
Do amor que se fez imperfeito.

Arrebol da manhã ensolarada,
Que vem com o afago perfeito.
Embrulhar a saudade no peito.




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15/03/2013

Apenas uma inspiração



Apenas uma Inspiração
( Toninho)



Como Ícaro vai pelas suas asas, perigo
Em seu corpo escrevo minhas dores
Sem rimas levo minhas angustias e desamores
Ah, eu posso estar com você a qualquer instante
Mesmo quando não se fala comigo



Posso navegar pela madrugada fria
Do vento gelado que açoita meu corpo
Ali parado jogado num corredor falta calor
Apenas a espera de você que não vem
Ah poesia, me consola! Da vida vazia.
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