Experiência clínica na abordagem
sistêmica
(Norma Emiliano)
Hoje o Recanto dos autores convidou nossa amiga e blogueira
Norma Emiliano para escrever um texto sobre terapia familiar,
especialidade da Norma do blog Pensando em família.
Obrigada Norma por aceitar nosso convite!
Compartilhar sobre minha experiência
como terapeuta é ter como ponto de partida a Terapia Familiar Sistêmica que,
desde a minha formação, iniciada em 1992, transformou-se em uma das minhas
paixões.
Na base dessa teoria encontra-se o desenvolvimento
das noções sistêmicas com relação ao comportamento humano, ou seja, não se pode
compreender o indivíduo isolando-o do seu contexto, tendo em vista que o
indivíduo e o ambiente são dependentes e interligados. Desta forma, o que rege a terapia familiar é o
pensamento de que todas as partes são interdependentes, pois as propriedades do
todo têm sua origem nas interações entre as partes. Os comportamentos
influenciam-se mutuamente. Desta forma, as questões são analisadas a partir do
conhecimento sobre a dinâmica familiar e a transgeracionalidade é enfatizada. O
sintoma é considerado com uma metáfora do problema. Portanto, é uma forma
diferente de se compreender saúde/doença, contribuindo para ampliar as intervenções
terapêuticas.
As técnicas utilizadas têm como
objetivo atuar na repetição dos problemas interacionais e se baseiam na aliança
terapêutica, na melhoria da comunicação e
em técnicas diretivas (no aqui e
agora).
Os atendimentos podem ser feitos, de
acordo com as necessidades, com o individuo, casal e/ou família. É importante que haja uma demanda espontânea.
Não há processo terapêutico sem que o (s) envolvido (os) se comprometa (m).
A maior demanda em relação às
famílias, na minha clínica, são problemas oriundos dos limites familiares com
os filhos e conflitos entre casais, cujos temas mais tóxicos são: família de
origem, dinheiro e sexo. Em relação ao jovem adulto solteiro a indefinição das
escolhas profissionais, as dificuldades para a autonomia e os relacionamentos
voláteis são temas que geram angústias.
No meu blog pensando em família
privilegiei um espaço para perguntas e respostas, sendo que o maior índice de
questionamentos tem sido sobre educação dos filhos, dificuldade de aprendizagem,
separação, relacionamentos familiares: pais/filhos; fratria; entre outras.
Enfim, é uma área de atuação na qual
várias categorias de profissionais (assistente social, psicólogo, pedagogo,
entre outros) podem atuar com a devida formação.
A identificação da repetição dos padrões
relacionais leva ao autoconhecimento e a diferenciação do self. *, possibilitando uma melhor qualidade de vida
mental e física.
Agradeço a Anne Lieri pelo seu
convite que me deu a oportunidade de escrever sobre a minha experiência
profissional na clínica e finalizo com a frase de um dos autores em que baseio
a minha prática e meu direcionamento pessoal.
“Compreender os mecanismos relacionais, diferenciar-se, desfazer
triângulos e modificar os velhos modelos não é para mim unicamente um objetivo
terapêutico, é também a meta da vida de qualquer individuo que deseje
conquistar a liberdade e o conhecimento dos sistemas com os quais se relaciona” (Bowen, 1979).
*Diferenciação do "self" -
capacidade do sujeito de perceber sentimentos e pensamentos, diferenciando os
próprios dos alheios.
Visitem a autora clicando em seu nome:
Terapeuta de Casal e Família




