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27/06/2014

Entendendo o homem

Entendendo o Homem

(Clara Lucia)




Tanto se fala em homem que não entende mulher, que homem é cruel, folgado, aproveitador, canalha etc... Mas e se nós, mulheres, nos colocássemos na pele do homem? Já fizeram isso?

Muitas mulheres quando amam a primeira coisa que tentam fazer é modificar a característica do homem. Não estou falando de caráter, mas sim da diferença imensa que temos. Eu adoro essa diferença.Também confesso que tenho um pouco da alma masculina, entendo muitas coisas, não entendo outras tantas, mas aceito o homem como ele é, do mesmo jeito que gosto que ele me aceite como eu sou, sem tentar me modificar.

Mulher é complicada, tem os altos e baixos, é minuciosa, carente, requer muita atenção, gosta de ouvir respostas, gosta de detalhes, gosta de ser notada e cuidada.

E homem é prático, seco, claro e rápido. Simples...

Mulher é emoção, sentimento...

Homem é visão, prazer...

Nem todos são assim, claro que existem as exceções, mas geralmente são assim mesmo.

Muitas atenções que queremos para eles são apenas futilidades. E são mesmo, pura frescura.

Por que um homem iria reparar que cortamos meio milímetro do cabelo? Ou que mudamos a cor do batom ou que emagrecemos 300 gramas?

Agora, experimente ficar sensual, com uma lingerie nova, um perfume gostoso, um carinho especial, um agrado, seja o que for... Ele vai perceber na hora! Homem gosta de sexo e sempre estará pronto.

Também não estou falando de amor. Homem e mulher amam do mesmo jeito, sofrem, choram, sentem saudades... tudo igual.

Qual o problema dele ficar olhando fotos de mulher nua? Deixa ele olhar.  Ele vai fazer isso, perto ou longe de você.

É horrível, eu sei, um homem que lhe acompanha ficar girando o pescoço toda a hora para olhar alguma que passa por aí. Mas homem olha mesmo, fazer o quê? Vale conversar e explicar que isso magoa. E muito!

Mulher tem todo um jeito especial de pedir coisas, de fazê-lo entender do que não gosta... Então, use esse jeito, menina!

E por que implicar tanto com ele e com o futebol? Por que não sentar ao seu lado, beber algo e beliscar algum petisco assistindo o futebol? Só não vale ficar fazendo perguntas idiotas. Para isso existe o Tio Google. Não é tão ruim assim. Aliás, é ótimo torcer no futebol. E péssimo é você competir com a bola. Vai arriscar?

Agora, se você começar a implicar demais ele vai acabar indo em outro lugar assistir com os amigos. E aí, meu bem, só Deus toma conta! Braveza nunca segurou homem em lugar nenhum.

Por que insistir para ele lhe acompanhar no shopping se ele não gosta? É da natureza dele, não gosta e ponto final. Vá sozinha, com os filhos, com as amigas e compre tudo que quiser, sem pressa e sem cara feia lhe chamando o tempo todo para ir embora.

Aliás, saia com suas amigas, tenha um tempo só seu enquanto ele tem o tempo dele com os amigos dele. Não fique vigiando. Se ele quiser vai lhe trair querendo você ou não. Deixe-o livre, mas faço-o entender que nem tudo você aceita e que se não for bom para você ou se algo lhe incomodar, vai ter discussão sim. Ele tem liberdade tanto quanto você. E respeito é bom e todo mundo gosta.

Trate-o bem sem se tornar uma doméstica ou uma empregada de cama. Tenha seu espaço, combine tudo antes, o andamento da casa, e não seja paranoica. A casa é tanto dele quanto sua.

Deixe ele ficar mais preocupado com você do que você ficar preocupada com ele.

Se respeite primeiro e respeite ele também. Se ame primeiro para depois amar o homem. Não seja dependente dele o tempo todo. Compartilhe a vida e não coloque a sua nas mãos de homem nenhum e nem tome a vida dele para você. Isso gera rotina e comodismo.

Faça suas escolhas, desde roupas, acessórios até lugares que gosta de ir com ele. Se não gostar de algo vai lhe falar e aí você troca, se assim entrarem num acordo. Lembre-se que você não nasceu grudada nele e antes escolhia tudo sozinha, não é?

Converse com seu homem quando vocês estiverem descontraídos e discuta a relação quando acontecer algo que não lhe agrada. Não amanhã ou daqui um ano. Faça no momento em que acontecer. Homem tem memória curta. Se você brigar por conta do passado talvez ele se cale, você vai pensar que ele está concordando com você, mas para não brigar ele nem sabe do que você está falando.

Controle seu ciúmes. Isso é horrível e ninguém merece passar por cenas constrangedoras.

Nunca se esqueça, minha querida, você o conheceu assim e se ele quiser mudar para melhor, por você, será de livre e espontânea vontade. Você idem!

E dentro de sua casa - acho que não preciso falar isso, mas vou falar - o assunto é entre vocês dois; exclua os pais, os sogros e principalmente os amigos. Só vocês dois!

Eu costumo ser perguntadeira, e ao longo de minha vida, algumas perguntas que fiz tive respostas satisfatórias:

- Um amigo me disse que a primeira olhada que ele dá é nos pés. Por que? Porque se os pés estiverem limpos, arrumados, bem cuidados, é sinal de que o resto do corpo também está;

- A grande maioria disse que prefere a mulher mais ao natural, sem muita maquiagem, sem muitos apetrechos; mas sabemos que quando passa uma gostosa, eles vão virar o pescoço, mesmo disfarçando;

- Se eles nos falam que estamos lindas, que a roupa ficou ótima, é porque ficou mesmo;

- Preferem mulher bem humorada e que não fica reclamando de coisas sem fundamento;

- Mulher fresca, mulher exibicionista, mulher egoísta, egocêntrica, mulher burra... Só para sair e nunca mais;

- O que eles querem, acreditem meninas, é ter uma dama de companhia no convívio social e ao mesmo tempo uma dama sem pudores, nem medos, nem tabus, sem frescuras e não-me-toques entre quatro paredes;

- Eles gostam de variar, gostam de novidades, gostam de surpresas, de ousadias inesperadas, tudo bem discretamente, nada de ficar telefonando e exigindo que ele diga que a ama na frente de todo mundo. Para quê isso?

E que seja eterno enquanto dure.

Falei muita besteira?

Podem dar suas opiniões e me corrigir, dar opiniões, sempre!




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10/11/2012

Um pouco de nós




Um Pouco de Nós
(Clara) 






Um dia eu fiz um blog. E escrevi algumas coisas, mas, como alguém leria o que eu escrevia? Ficava pensando como alguém teria curiosidade de acessar e ler. Perguntei para minha filha se ela leria. "Claro que sim, mãe". 

E comecei a escrever bem timidamente.

Quando dei por mim, apareceram muitos acessos, as pessoas liam, comentavam e o mais interessante, voltavam no outro dia para ler novamente.

Comecei a contar coisas de minha vida, passagens, causos, algumas coisas que eu me lembrarei para sempre.

Depois comecei a escrever contos, com personagens imaginários, outros reais, mas que ninguém sabia que eram reais.
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03/11/2012

A casa desmoronada


A casa desmoronada
(Clara)






      Durante praticamente toda a minha infância, morei numa casa bem simples, antiga, com um quintal enorme onde tinham várias plantas, árvores, tipo fazenda. Aquele quintal imenso era meu mundo. Pegava meus brinquedos, minhas panelinhas e brincava de fazer bolo de terra, colocando musgo por cima, como se fosse a cobertura. Uma espiga de milho, ainda verde, fazia as vezes da boneca, e era a aniversariante do dia. Geralmente brincava sozinha, conversava, corria, cantava, inventava...

      Mas nem sempre eu era essa doçura toda; digamos que meu lado perverso às vezes aparecia e uma maldadezinha se aflorava naquela menininha rechonchuda e bochechuda. Coitados dos bichinhos!

      Taturanas e mandruvás eram meus preferidos. O que eu fazia? Escondida de minha mãe, pegava o álcool, o fósforo, pegava a folha com esse bichinho curioso, colocava no chão, jogava um pouco de álcool e tirava este de perto para não fazer um estrago e levar bronca ou surra da mãe, e de longe, acendia o fósforo e.... jogava no bichinho inocente. Não sei que prazer eu tinha em ver aqueles verdinhos ou peludos, e alguns até zebrados, coloridos, com chifres, se contorcerem até ficarem inertes, mas eu prestava atenção e sentia aquele cheiro de queimado, de certa forma, admirada e curiosa.

      Olha, eu já pedi perdão e isso eu não faço mais, tá bom? Era uma criança e tinha minhas arteirices escondidas. Acho que minha mãe nunca ficou sabendo dessa minha proeza, ainda bem.

      Então, dias desses passei naquela rua e a casa não estava mais lá. Desmancharam aquela casa feia, velha, antiga onde passei minha infância. Senti um vazio, como se parte de minha vida tivesse sido apagada, mas sabendo que tudo está em minha memória. Muitas lembranças vieram na minha mente e não tive como não me lembrar desses inocentes bichinhos cruelmente mortos por mim. Aquele abacateiro enorme, que nunca consegui subir em seus galhos, por pavor de altura, também não estava mais lá. Não prestei atenção no que fizeram no local, acho que um espaço aberto para futuros eventos, não sei.

      Uma outra lembrança me veio... um dia, passando da sala para um dos quartos, uma cobra verde saiu da parede, de um pequeno buraco, e quase pega meu pé! Dei um salto para trás e minha mãe veio ver o que era; e a danadinha, acho que por medo dessa assassina de verdinhos, deu ré e voltou para o buraco. Minha mãe, com um pauzinho, ficou cutucando o buraco, na esperança de espetar a peçonhenta e acabar com sua vida. Mas nada aconteceu. Dali para frente, todas as noites, quando me deitava, ficava olhando as paredes, imaginando que aquela rastejante estivesse andando por dentro dela, na espreita, para um dia quem sabe, sair dali e me pegar, por vingança de tanta maldade que eu cometera com aqueles inocentes seres, também filhos de Deus.

      A casa não está mais lá, mas as histórias, as imaginações, o medo dos bichos, as brincadeiras, todas permanecem carimbadas na minha memória.

      Bons tempos, onde os gravetos, a terra, as plantas, os legumes, as flores, tudo se transformava em brinquedos, com histórias com começo, meio e fim.



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10/10/2012

Fujona


Fujona!
(Clara)






      Minha mãe conta que quando eu era pequenininha e tinha que sair e me levar, era um Deus nos acuda! Eu sempre dava um jeito de me soltar da mão dela e sair correndo. E ela chamava, chamava e eu continuava correndo.

      Num desses dias, após virar a esquina de uma rua com uma descida enorme, larguei sua mão e saí em disparada! Ela correu atrás e não me alcançou. E logo mais adiante, tinha uma rua, que com certeza eu atravessaria correndo. Diz ela que ficou apavorada, mas parece que uma luz tocou-lhe: ela me chamou e gritou bem alto: - Tchau, vou embora! - e por um milagre, parei de correr, olhei para trás e a vi indo embora. Na mesma hora, voltei, chorando, desesperada por ficar sem minha mãe.

      Foi um alívio para ela! Mas se enganou quando pensou que eu tinha aprendido a lição.

      Sempre, sempre, ainda criança, bastava eu tomar banho e colocar uma saia azul marinho rodada, com bordados de fita na barra, que foi feita pela minha madrinha e que eu adorava, pronto! Lá ia eu fugir para a casa de minha avó que ficava no outro quarteirão. Quando mamãe se dava conta, já estava bem perto da casa.

      E mesmo depois de mais crescidinha, eu sempre sumia do nada! Ia brincar na casa de uma tia, que ficava na mesma quadra, com minhas primas. Lá era uma paraíso para mim! Pés de frutas diversas como jabuticaba, jambo, banana, goiaba, tamarindo e uma outra, de casca dura e por dentro o fruto verde, que parecia um veludo... como é mesmo o nome, gente? Ah, me lembrei: jatobá. Sem falar nas coisas gostosas que minha tia fazia, coisas simples, como o "fingido", que nada mais era a massa de pastel frita, mas sem recheio, que tomávamos com café.

      Mas isso é assunto para um outro post, porque que infância boa que eu tive!



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11/08/2012

Recanto entrevista Clarice Lucia





RECANTO ENTREVISTA CLARICE LUCIA SILVA
( Anne Lieri)



Clara, onde vc nasceu e onde mora hoje?

R – Nasci em Franca, interior de São Paulo, que fica a 450 km da cidade de São Paulo, conhecida como a capital do calçado masculino e do basquete. Ainda vivo aqui.





Conheço Franca.Morei em Pedregulho, aí do lado! Conte um pouquinho de sua família e de sua infância para nossos leitores.

R – Família simples, com 5 pessoas, eu a filha do meio, me virava com minhas brincadeiras. Cidade pequena, casa simples com quintal grande, com árvores, muitas flores, tipo chácara. E criatividade é que não me faltava com todo aquele mundo que eu imaginava, em cada conto que eu inventava como brincadeira. Era muito curiosa, porém tímida, mas atrevida também. Inventava muito, tanto brinquedos quanto brincadeiras. Infância que tive na rua tranquila onde morava, com liberdade de jogar bola, pique-esconde, matança, bicicleta, amarelinha.... saudades desse tempo.
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