Velho menino
(Humberto Caminha)
Não fui um menino prodígio, e aí!
Vivia trepando na mangueira amiga,
Tocando gaita num pente de briga.
Desce daí menino, você cai! Não caí...
Fui um menino sabiá, assoviava atento.
Andava descalço, com olhos nos pés.
Cheirava as flores com olhos na venta,
Olhava ao redor procurando igarapés.
A natureza em flor gritando apaixonada,
Seu perfume pedindo ao sabiá no ninho cantar.
Beleza, encantamento e música pairando no ar,
Admirando, curtia a magia do amor da amada.
Não fui um menino prodígio, só vivi!
Sonhei, amei, trabalhei e, alegre, curti.
Mas acho que vou me transformando,
Num velhinho prodígio estou ficando.
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