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07/08/2014

Olhar de vidro

Olhar de Vidro
(Ana Bailune)



Descansa em paz
Meu coração ainda quente
Na aspereza da tua palma,
Onde os sentimentos não brotam - nem brotarão...

Um solo estéril,
Aonde morrem até as almas,
No qual pisei,
 Em um momento
De insensatez.

Ah, a frescura da tua tez!...
Sedutora teia
Da mais vil aranha!

Teu olhar de vidro,
Que não enxerga os sentidos,
Vertente da indiferença

De uma quase-emoção tacanha!


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05/07/2014

Partidas escolhidas

Partidas escolhidas

(Ana Bailune)





Ela era a estação,
E ele, o trem que chegava de manhã
E que partia ao findar o dia.
Naqueles breves encontros,
Ela sonhava permanências
E ele se despedia.



Ela deixava os sonhos sobre os trilhos ainda quentes.
Guardava o futuro
Num horizonte mutante
E morno de branduras...



Ele se perdia por um mundo sem fronteiras,
Onde as estações eram somente
Uma pausa entre aventuras.



E cada um era o avesso
Do que o outro desejava;
E era isto que fazia durar:
O coração não descansava
De sempre e tanto
Sonhar.







Essa poesia de Ana Bailune faz parte da antologia " Verseja Brasil" da qual também tenho uma poesia publicada.


Antologia organizada por Miriam de Salles e a editora Pimenta malagueta não é para ser vendida mas doada a escolas, bibliotecas e diversas instituições.




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11/06/2014

Veludo

Veludo

(Ana Bailune)










Cresce um musgo verde

Macio e aveludado

Sobre tudo,

Sobre o muro,

Sobre as almas

Entre as palmas

E as palavras.




Suave ao toque,

Nem se percebe que ele é morte.

Mais parece um caminho

Enfeitado

Verdejante de vida.




Mas as borboletas não se enganam,

E flanam

Bem longe dali.




O musgo cresce sobre tudo,

Envolve o mundo,

Cobre de umidade a verdade,

Lastra sobre as bocas

E as cidades.




Disfarça em seu veludo

O absurdo e a falácia

E o quanto pode parecerer linda

A iniquidade!




E o musgo cresce sobre os caules

E os troncos das árvores,

Sufoca e mata

Até que não haja mais folhas e flores,

Até que não haja mais nada.




(Mesmo assim, é verde a paisagem)





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30/04/2014

Transgressão


Transgressão

(Ana Bailune)





Nasci para andar descalça.

Meto os pés na lama
Sem hesitação,
Cubro-me das pétalas
Que das flores caem,
Orno-me das folhas
Que as árvores enjeitam,
Mato minha sede
Com a água que nasce
Das loucas enchentes,
Revolta da chuva,
Revolta dos rios.



Aparentemente,
Sigo a linha reta
Que a vida desenha,
Mas dentro de mim
A estrada não segue
Caminhos conhecidos:
Sou de poucas palavras,
Poucas perguntas,
Poucos amigos.




Prefiro o silêncio,
E dele eu me visto,
Sou bicho das sombras,
Ando equilibrando-me
Pelo meio-fio
Só porque assim
É mais divertido,
E seu eu cair,
Não temo os abismos.



Aprendi a ser
Aquela que cai,
E sempre se ergue
Um milhão de vezes.
Não desisto nunca
De recomeçar.
De cabeça erguida
Sacudo a poeira,
Só pago o que devo
(Se acho que devo)
Choro quando quero.



É duro, é difícil,
É quase impossível
(Desista, eu te digo)
Me fazer cair,
Me manter no chão,
Calar minha voz,
E ferir a pele
Do meu coração
Que bate sozinho,
Sem necessidade
De adrenalina.




Eu pago meus micos
Sem pedir descontos,
Não tenho vergonha,
Nada me constrange,
Nada me intimida,

Nada .



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20/03/2014

Brincar de poesia

Brincar de Poesia

(Ana Bailune)








Poesia é coisa livre,
Nos chama para brincar
Seja de riso ou de dor,
Poesia é o que é amar...

Poesia é brincadeira,
Fogueira de São João
Sobre a qual, à meia-noite,
Pula sempre um coração.

Poesia não tem dono,
A não ser o sentimento;
Nasce livre, e sempre cabe
Dentro de qualquer momento.

Poesia é navegar
Nas águas de um mar que é doce...
Levar a concha aos ouvidos
Escrever - fosse o que fosse!

Momento de pura graça
Sem barreiras ou grilhões;
Poesia só agrada
Se brotar nos corações.

Poesia é sempre livre,
Não tem dono nem senhor...
Nasce do que traz a vida,
Seja riso ou seja dor.

Ela é sempre democrática,
Seja qual for a temática...
Poesia é fantasia,
Sem grilhões, jamais estática!

Pode ter métrica ou rima,
Mas o arremate final
Tem que vir sempre das linhas
De um sentimento abissal!

Poesia é a expressão
Mais profunda, mais bonita
Nasce em todo coração
Que queira cantar a vida!



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21/11/2013

Chá

Chá

(Ana Bailune)





Chá de maçã com pouco açúcar,
Torradas com manteiga e mel...
Pela janela, um pedacinho
Uma nesguinha azul de céu.

De gole em gole, sorvo o chá
Que tem um gosto de passado,
No fundo da xícara, memórias
Com o açúcar cristalizado.

Licor de chocolate; um trago,
O friozinho pela fresta...
O crepitar do fogo, as chamas,
Dançando na lareira, em festa.

Passa por mim a vida inteira
Entretecida aos fios de lã
Da manta que me agasalha
Enquanto eu mordo uma maçã.

No corredor, o tique-taque
Quebra o silêncio dessa tarde.
A casa viva me vigia,
E eu adormeço, eu adormeço...

Nem mesmo sei se é de verdade
O chá, o mel, o chocolate...
Na sonolência eu me esqueço...
Até que um cachorrinho late.




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18/10/2013

Entre duendes e dragões




Entre dragões e duendes

(Anne Lieri)



Quem participa da blogosfera há alguns anos conhece bem o talento literário de Ana Bailune.

Portanto, não me surpreendi ao ler seu mais recente livro: “A ilha dos dragões”. Esperava o melhor e o melhor veio!

Depois de publicar os livros de poemas “Vai ficar tudo bem”e "Sempre cada vez mais longe" e participar em diversas antologias,” A ilha dos dragões” trata-se do primeiro conto de uma coletânea.

Sempre com um toque surreal, introspectivo e envolvente a leitura é apaixonante.

A cada conto uma surpresa cheia de imaginação com mensagens inteligentes, mas sem juízo de valor, traço que admiro na autora.

Mundos transcendentais, mágicos são seus cenários preferidos e os personagens beiram o realismo fantástico.

Quando percebemos estamos envoltos em histórias de elementais, duendes, fadas e bruxas. 

Entre baús mágicos, vestidos encantados, bordados poderosos, fotografias perturbadoras, Ana Bailune nos leva a um mundo de suspense, medo e curiosidade.

Finais surpreendentes em todos os vinte contos fecham com chave de ouro esse primeiro livro de contos de Ana Bailune.

Não percam! Vale a pena ler!


Querem saber como adquirir? Clique no link abaixo:






AnaBailune

Conheçam também o seu livro de poemas:





Saiba mais aqui!
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22/07/2013

Inesperado


Inesperado







Por mais que seja noite,
-Cliché: um dia, amanhece!
E os cedros negros,
Que lembravam monstros,
Serão flautas para o vento.

E num momento de pura surpresa,
As nuvens recolherão as tempestades,
Abrindo um caminho no meio do céu
Para que o sol passe.

O musgo do abandono
Que cresceu pelo caminho não trilhado
Será estrada aveludada
Que levará ao reencontro tão sonhado.

Num dia inesperado,
Quando os olhos estiverem secos
E o riso tiver voltado.





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