( Edilene
Vieira)
Toc, toc,
toc.
– Quem é?
– Sou eu,
o Amor!
– Amor?
Isso são horas? Não é um pouco tarde?
– Abre,
deixa eu entrar e cuidar de você?
– Como
pode voltar depois de tantos anos e achar que vai ficar tudo bem? É tarde
demais para o amor!
– Abre só
um pouquinho, depois se quiser vou embora!
– Não,
quando você entra fico em pedaços e você sempre vai embora deixando os cacos.
– Deixa
eu entrar, já se passaram tantos anos, agora você está mais experiente, mais
segura, vai saber como lidar comigo sem se machucar!?
–
Verdade! Vou abrir, você vai se surpreender comigo! Estou forte, sou uma mulher
madura, você não vai me fazer em pedaços novamente!
Abriu só
uma frestinha e o amor, vupt, entrou. Chegou de mansinho, mas logo foi
dominando a situação, num passe de mágica transformou a mulher madura, forte e
segura, na mesma menina frágil de anos atrás e ela sabe que quando ele
for embora, outra vez restará apenas pedaços, os cacos. Acreditava que
isso nunca mais aconteceria, mas aconteceu. Agora só lhe resta uma esperança
enquanto vive esse momento mágico, que toda aquela maturidade lhe dê força na
hora que tiver que recolher novamente os cacos e fechar a porta.
Visite a autora: EDILENE






