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14/10/2012

Outra vez o amor


( Edilene Vieira)




Toc, toc, toc.
– Quem é?
– Sou eu, o Amor!
– Amor? Isso são horas? Não é um pouco tarde?
– Abre, deixa eu entrar e cuidar de você?
– Como pode voltar depois de tantos anos e achar que vai ficar tudo bem? É tarde demais para o amor!
– Abre só um pouquinho, depois se quiser vou embora!
– Não, quando você entra fico em pedaços e você sempre vai embora deixando os cacos.
– Deixa eu entrar, já se passaram tantos anos, agora você está mais experiente, mais segura, vai saber como lidar comigo sem se machucar!?
– Verdade! Vou abrir, você vai se surpreender comigo! Estou forte, sou uma mulher madura, você não vai me fazer em pedaços novamente!
Abriu só uma frestinha e o amor, vupt, entrou. Chegou de mansinho, mas logo foi dominando a situação, num passe de mágica transformou a mulher madura, forte e segura,  na mesma menina frágil de anos atrás e ela sabe que quando ele for embora,  outra vez restará apenas pedaços, os cacos. Acreditava que isso nunca mais aconteceria, mas aconteceu. Agora só lhe resta uma esperança enquanto vive esse momento mágico, que toda aquela maturidade lhe dê força na hora que tiver que recolher novamente os cacos e fechar a porta.






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23/07/2012

Palavra certa






Palavra certa

(Edilene)

Houve um tempo que doía.
O coração sangrava, queimava.
Deixavas-me acabada, humilhada.
Depois de tudo que você fazia
Eu corria atrás e implorava perdão.
Perdão por você ter me corroído a alma.
Perdão por você me deixar sem chão.
De repente perdão por existir.

Será que a palavra certa para isso é AMOR?

Chorei tanto, doeu tanto, sofri tanto.
Acostumei- me com a dor,
Ou o que você faz não dói mais.
Tentas de todas as formas,
abalar minhas estruturas,
ferir-me,  derrubar-me,
arrancar-me que seja uma lágrima!

E nada!

O coração está calejado
Transformou-se numa pedra,
Não consegues mais me fazer chorar,
Pior, não consegues nem me fazer sorrir.

Será que a palavra certa para isso é DESPREZO?


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05/06/2012

Ficção de amor





( Edilene Vieira)




Não conheço teus beijos, não sei do teu amor,
mas quando estou contigo
tsunamis ferozes tomam conta de mim,
devastam todo meu bom senso e
toda  minha moral.
Simultaneamente, sinto brisas e borboletas,
dominando  meu pensamento,
e sinto paz por ter você perto de mim.
Alcanço os céus no som da tua voz,
Sentidos que nenhum toque ainda conseguiu despertar,
afloram violentamente enquanto te ouço e viajo.
Impossível descrever meus pensamentos.
E os teus olhos,
 neles não sei se me perco ou se me encontro,
tens nos olhos o doce que mais amo
e um oceano de incertezas e mistérios.
Tuas mãos quando tocam as minhas, inexplicável!
Algo mais veloz que um trem bala me percorre o corpo
e me bambeia as pernas.
Nem todas as leis da física me elucidam esta dúvida.
Com tudo isso a vida apenas segue,
você sem saber desses turbilhões que se passam.
E eu vivendo como posso ou como devo.
Tua amizade me mantém viva,
apenas imaginando tudo o que quero e preciso
 e assim matando meu desejo de te amar.
Você é minha ficção de amor.
Eu te invento para mim, como eu quero e preciso.



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Edilene Vieira

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27/04/2012

Chuva





Chuva

( Edilene Vieira)




Chuva que cai lá fora,
leva minha dor embora.
E com a enxurrada que
d
e
s
c
e
a cidade,
traga-me
um pouquinho de
felicidade!



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Edilene Vieira
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15/03/2012

Minha fada anjo






MINHA FADA ANJO
( EDILENE VIEIRA)


Minha linda fada de vestido e chapéu rosa
Com passarinhos coloridos tecia lindas manhãs
Com as estrelas do céu bordava mil e uma noites
Fadas de cabelos brancos, mas sempre formosa

Fadinha sabida, mas sem nenhuma leitura,
Contava-me maravilhosas histórias todas as noites.
Repetia as cenas e enredos, nunca o encantamento e a magia
Histórias que não se encontrara em nenhuma literatura.

Fada que me abraçava quando meu coração pedia,
Que se fazia ouvidos de um jeito que ninguém sabia,
Fada do vestido florido que a todos muito amou
E um exemplo imaculado de vida me deixou

Minha fadinha-anjo hoje mora no céu,
Sua lembrança me faz voltar ser criança,
Uma saudade tão grande me confunde
Será que vejo nuvens ou o véu do seu chapéu?

Uma homenagem a minha avozinha Ana Rosa que virou um anjo há algum tempo. Dia 11 de fevereiro completaria seus 83 anos.  Ela mesmo sem ler me incentivou muito na leitura. Amou quando li uma história para ela pela primeira vez.

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20/02/2012

Lembrei de você






LEMBREI DE VOCÊ
( Edilene Vieira)


Lembrei de você,
Da despedida que não aconteceu.
Foste embora covardemente.
Nenhuma notícia.
Apenas desapareceu...
Eu, menina ainda,
o sorriso era a porta do meu coração,
mas, você foi embora cedo demais.
Ficou o medo de sofrer
de perder a razão!
Se ao menos soubesse o motivo da partida!
Saberia o que fazer ou não fazer
para que um novo amor não se perder.
Mas não sabia onde tinha errado, e se tinha errado!
Deixar alguém entrar sem saber onde estava a fresta
por onde você saiu, era correr risco de sofrer!
Não!  Ninguém entraria!
Decisão!
Com medo da dor se repetir,
medo de sofrer, medo de amar,
fechei a porta.
Quando abri novamente...
Entrou apenas uma brisa leve,
por que a felicidade mesmo,
deve ter passado no tempo.
Tempo que a porta estava fechada



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