ALUGA-SE!
(Luz)
Aluga-se!
É verdade. Alugo o meu coração
que é grande, generoso, amplo e espaçoso
e tem, à volta, um jardim calmo e cheiroso.
Já não é novo, em primeira mão, a estrear
pois já foi habitado e mais tarde esvaziado
mas juro que está limpo, livre e em condições
de poder ser, de novo, seriamente, ocupado.
Tem gavetinhas divididas, com cor, amorosas
não necessitando ficar nadinha, fora do lugar
porque há lá espaço para guardar o que quiser
tal como os beijos, os abraços e as sensações.
A sala maior é vermelha, apaixonada e ousada
com largas janelas, para encandear a razão
e uma lareira, como convém, nestes casos
para dar calor e colocar em ebulição a paixão.
Todas as outras divisões têm varandas francas
que estão todas viradas, de olhos postos no mar
presente que pretendo ofertar ao novo morador
para que ele facilmente possa relaxar e sonhar.
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