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03/11/2011

Recanto entrevista João Fernando Greco






RECANTO ENTREVISTA JOÃO FERNANDO GRECO
( Anne Lieri)

Nosso entrevistado de hoje nasceu em São Paulo e reside na Praia Grande.


Tem duas cachorrinhas que são como filhas!


Escreveu o livro “O diário das revelações” que é uma autobiografia.


Com vocês, nosso amigo João Fernando Greco!



Recanto- João,onde você nasceu? Conte um pouco de sua vida atual,familiar e profissional.
João- Nasci em São Paulo no ano de 1981 e atualmente resido na cidade de Praia Grande, na baixada Santista. Sou casado e tenho duas filhas, elas não são da espécie humana, são caninas, ou seja, são adotadas, mas não conte a elas, pois ainda não sabem disso.
Sou formado como técnico em informática e atuei na área por 15 anos, mas não consigo mais. Sou escritor e compositor, demorei quase 30 anos para vestir essa roupagem, que por sinal me cabe muito melhor. Compor canções, escrever livros e poesias, ainda não me deu nenhum retorno financeiro, às vezes temo pelo meu futuro e questiono a escolha de meu coração, mas quando o coração escolhe a decisão é tomada em definitivo.


Recanto- Como foi a sua infância? Fale um pouco dessa fase de sua vida.
João- Falar de minha infância é um tanto complicado para mim, não por conta de alguma lembrança que vem à tona e que eu não gostaria de ter, mas ao me lembrar desse assunto, falo ou escrevo por horas se ninguém me interromper.
Fui um menino pobre, cresci num lar desestruturado e com poucas possibilidades de crescimento. Li uma matéria esses dias e encontrei uma frase que identifica muito bem esse momento de minha vida, nela dizia que precisavam de gente para ministrar cursos para pessoas que estavam em risco social. Pois bem, demorei para conceber essa ideia, mas o fato é que em minha infância e boa parte de minha adolescência eu era uma dessas pessoas em risco social. Conto toda a história em meu livro O Diário das Revelações, uma história real, mas em um breve resumo, posso dizer que logo cedo, com cerca de cinco anos de idade, eu e minha irmã tivemos que nos afastar de minha mãe, indo morar na cidade de Marília, interior de São Paulo, com meu avô materno e sua esposa. Os motivos que levaram minha mãe a tomar essa decisão são doloridos e prefiro não comentar aqui, para não tornar essa entrevista algo triste, mas conto tudo em meu livro. Quando voltei a morar com minha mãe, sim só eu voltei, minha irmã ficou mais um tempinho, conheci o homem que foi o único modelo de pai que tive em minha vida, uma excelente pessoa, muito carinhoso e atencioso, mas infelizmente era alcoólatra. Cresci assim, recebendo a educação de uma mãe muito lutadora, mas que sofria de distúrbios psiquiátricos e de meu padrasto que era alcoólatra. Como Deus sabe o que faz, tive minha irmã junto de mim, que me ajudou a dividir o peso que a vida me impunha.
        Em minha adolescência fui um menino quieto, um tanto quanto introspectivo e isso me gerou uma série de problemas por conta do que hoje em dia chamam de Bullying, mas que na minha época era apenas coisa de criança, pais e professores pouco se envolviam, deixavam que a coisa fosse resolvida por si só.
Para finalizar, pois vejo que já estou me estendendo um pouco nesse assunto, devo dizer que hoje em dia quando olho para trás e vejo tudo aquilo pelo que passei, sinto-me vitorioso. Essa vitória não é daquelas em que subimos num podium, recebemos um troféu e dividimos nossa alegria com todo mundo, essa é uma vitória silenciosa, que fica quietinha lá num cantinho do coração  e só aparece em momentos em que sinto-me triste ou com medo, me dizendo: “Olha menino, veja por quantas coisas você já passou! Você acha que não é capaz de enfrentar mais isso?”





Recanto- Poderia nos falar sobre o seu livro? Quando começou a escrever e qual a inspiração para seu livro?
João- O Diário das Revelações é minha autobiografia. Quando comecei a escrevê-lo em 2009, percebi que não teria como falar só de mim, visto que em partes, minha própria índole, meu jeito de ser e tudo mais, provêm da educação que recebi de minha mãe e ela de meus avós, ou seja, sou parte deles. Por conta disso, resolvi dedicar-me também a contar as histórias de meus antepassados, que além de tornar o livro mais rico em detalhes, traz consigo um bom exemplo do que era a cultura brasileira, descrevo fatos do cangaço nos tempos de meus avós, depois disso já em Mato Grosso do Sul o livro caminha com histórias verídicas sobre os nativos daquele lugar, onças pintadas e sucuris. É possível também observar a educação, a cultura retrógrada das pessoas daquela época, os erros que cometiam por conta por conta de uma ignorância nata.
        Eu sempre soube, não me perguntem como, que um dia eu escreveria uma obra autobiográfica, acredito inclusive que essa não será a única, visto que nela encontram-se fatos de meus primeiros 30 anos de vida, somados aos fatos de minha genealogia. Acredito que no futuro poderão surgir novas páginas e quiçá essas páginas formarão um livro.
        Quando comecei a me empenhar em O Diário das Revelações, houveram aqueles que me questionaram sobre a relevância de se escrever a história da própria vida, visto que essa ainda teria muitas linhas a serem escritas, outros questionaram-me quanto a possível falta de interesse das pessoas, visto que é um livro que fala sobre alguém desconhecido do público. Para a primeira pergunta minha resposta foi - Espere para ler meu livro, e você entenderá. - Para a segunda pergunta a resposta foi mais simples: Prazer, eu sou João Fernando Silva Greco.
        O Diário das Revelações é um pedacinho de minha alma que anseio em dividir com as pessoas, nele está descrito exatamente quem eu sou, um ser humano em meio aos outros 7 bilhões que habitam nosso planeta, um menino, um homem, um marido, um filho, um irmão. Uma das principais intenções desse livro é inspirar as pessoas, fazendo com que percebam que não estão sós com seus problemas, que todos nós, mais cedo ou mais tarde iremos compartilhar de histórias muito parecidas, ora essas histórias falarão sobre luta e sofrimento, ora sobre felicidade e vitória. Algumas terão finais felizes outras finais tristes, mas sempre haverá um final, ou seja, não há situação que dure para sempre.




       

Recanto- Como se sente quando escreve? O que significa a literatura na sua vida?
João- Digo sempre que a vida de um escritor, através de minha ótica, ora é deliciosa como o mais saboroso manjar dos deuses, ora é dolorida como caminhar por sobre um caminho em brasas.
Escrever para mim nunca foi uma opção, desde tenra idade as pessoas a minha volta, sempre me viam junto de um papel e uma caneta. Quando coloco-me a escrever, fico bem quietinho, pois por conta desse silêncio que consigo ouvir a voz de minha inspiração, é como se ela me ditasse tudo aquilo que eu devo escrever, quando percebo lá está, uma poesia, uma música ou um texto que poderá virar um livro...
A literatura tem um papel muito especial em minha vida, ela, junto de outras várias formas de expressão, me completa, me faz ser o que realmente sou, um artista.
              Como gosto de apreciar uma boa poesia, seja ela de Vinícius, Fernando Pessoa ou de um poeta ainda desconhecido! Sinto-me a degustar um saboroso doce, chego até a salivar.
              A arte, onde se encontram a literatura, a pintura, a música, a dança e tantas outras formas de expressão, é a centelha divina que desperta nossa alma para o poder da criação, arte nada mais é do que criar, movimentar energias em prol da criação daquilo que sua alma deseja expor ao mundo.




Recanto- O que você acha das redes sociais? Qual o significado delas em nossa vida hoje?
João- A redes sociais hoje são a essência da internet, são viciantes e extremamente úteis. Não posso dizer que me alegro ao ver que através delas e de alguns outros meios virtuais, uma nova linguagem vem surgindo, um novo idioma baseado no português com seus KD, VC, PQ, TB, HJ, FDS. Mas devo admitir que essa é uma tendência mundial, algo que já aconteceu e só por esse fato deve ser respeitado, pois tudo que acontece tem um motivo de ser.
Como sou um escritor ainda pouco conhecido, as redes sociais são uma grande aliada em minha divulgação, através delas tento conhecer pessoas e expor minhas obras e minhas opiniões. Atualmente utilizo muito o Facebook, que é uma ferramenta ótima, inclusive, todos que quiserem me adicionar como amigo, digo que será um prazer imenso, basta me procurar pelo meu nome completo. Mantenho também uma conta no Orkut, Skoob, linkedin entre outras, mas o Facebook ganhou meu coração, assim como os corações da maioria das pessoas.
Por fim, devo dizer que redes sociais sempre tiveram um papel muito importante em minha vida. No ano 2000, antes de qualquer grande rede social estourar, eu era cadastrado em uma chamada Amigos Virtuais, que pertencia a um grande provedor brasileiro. Naquela época não se falava em redes sociais, mas o Amigos Virtuais nada mais era do que uma delas. Foi essa ferramenta que o destino utilizou para colocar frente a frente, eu e a mulher que hoje em dia é minha esposa.   




Recanto- E as escolas de hoje? Qual sua opinião sobre elas? Acha que temos um país onde a leitura é incentivada?
João- De minha época de estudante para hoje, devo dizer que percebi grande melhoria nas escolas, tive a oportunidade de trabalhar muito tempo, em projetos de informática que atendiam todas as escolas municipais de São Paulo, EMEF, EMEI, EJA e até CECI, que é uma escola feita para os índios que ainda habitam a cidade de São Paulo. Por outro lado, percebo também que a educação brasileira ainda caminha a passos lentos e desinteressados. Ainda hoje, ir à biblioteca da escola é para o aluno apenas uma oportunidade de sair da sala de aula, ou uma obrigação chata e cansativa por conta de um trabalho que deverá fazer.
Em meus tempos de escola, nunca fomos estimulados à leitura, pelo contrário, havia sempre o desestímulo da informação desinteressada, isso ocorria quando os professores simplesmente nos davam sermões, dizendo o quanto era importante para o aluno, ler um livro. Só falar não adianta, pois falar e ainda por cima em forma de bronca, sermão, etc, nada acrescenta ao aluno, apenas faz com que ele associe aquele “conselho”, a mais uma coisa chata que os adultos dizem que é legal!
        Somos ainda um país de não leitores, quantas e quantas pessoas eu conheço, que me disseram:
        - huuum João, eu sou tão ruim para ler, não gosto, acho uma coisa cansativa e maçante. Se não fosse assim, eu até leria seu livro!
        Essas pessoas já tiveram filhos ou um dia os terão e possivelmente, será com essa ideia na cabeça que vão educar seus rebentos.
        Como escritor, tenho vivido verdadeiras pérolas da deseducação literária, tem amigo meu que recomenda meu livro, dizendo ser de fato uma excelente leitura, sem ao menos ter lido o prefácio, tem também pessoas que quando me apresento como escritor, simplesmente desacreditam que isso possa ser uma profissão, ou então me elevam ao um patamar que de fato não estou, achando que escritores são pessoas extremamente intelectuais e bem sucedidas na vida. Já ouvi dizer até, que só farei sucesso depois de minha morte, tamanho o descrédito que existe na área.
        Posso dizer que minha experiência aponta para um país de não leitores e para uma política, que simplesmente ignora a possibilidade de incentivo a novos escritores, fazendo com que as editoras espalhadas pelo Brasil se fechem cada vez mais.
        É um quadro lamentável, mas tenho fé que um dia isso mudará.


Recanto- Você tem algum projeto para um novo livro?
João- Sim, já está em pré-venda meu segundo livro Memórias de um Preto Velho e saindo do forno, em fase de conclusão, outro onde falo sobre os anos 80. Em breve, pretendo juntar minhas poesias e transformá-las em um livro também. Ideias fervilham em minha cabeça, devo dizer que se não fossem as preocupações práticas da vida, como por exemplo, como fazer para pagar minhas contas de consumo, alimentação e moradia, eu já teria escrito no mínimo uma dezena de livros.



Recanto- Agora é o momento “Marilia Gabriela”. Eu falo uma palavra e você diz o que te vier á cabeça.

Uma música- Tente outra vez (Raul Seixas)



Um livro- Só um? Bem, Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva.




Uma cor- Azul




Um sonho- Poder sustentar a mim e a minha família através de minha arte, podendo assim dar a ela, asas que jamais teve a oportunidade de ter.



Uma alegria- Estar vivo!



Uma tristeza- O câncer, já perdi muita gente querida por conta dessa maldita doença.




Recanto- Deixe um pensamento, uma palavra ou uma frase que goste para nossos leitores.

João- A verdade pertence ao ser e não ao mundo. Não julguemos uma pessoa somente por conta da verdade dela ser diferente da nossa.

Muito obrigada pela gentileza de sua entrevista!
Adorei conhecer mais sobre você e tenho certeza que as pessoas que leem esse blog também irão adorar!

Deixo o link do blog do João para todos visitarem:






1 COMENTÁRIOS:

João Fernando

Anne, estou muito feliz pela oportunidade que tive em participar desse bate papo. Fico muito grato a você pelo carinho e agradeço de antemão, a todos que por aqui passarem e se interessarem em conhecer um pouquinho mais de mim.

Paz e Luz.

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